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Como você pode contribuir para a construção de um sistema de justiça melhor?

Na obra "Conversas Difíceis - Como argumentar sobre questões importantes", encontramos como ensinamento a importância de se delinear um sistema de contribuição. Mas afinal, o que seria esse sistema de contribuição?

De acordo com os autores, em uma conversa difícil normalmente a tendência é que os sujeitos "fiquem presos na teia da culpa", ou seja, não consigam avançar com uma proposta de solução em razão da tentativa de se descobrir um culpado para a situação que deu origem à conversa.

Imaginemos agora um diálogo sobre o atual sistema de justiça brasileiro. Levando em conta o que mencionamos acima, haveria uma predisposição para que os atores desse meio, como advogados, juízes, servidores, governantes, estudantes, mediadores, cidadãos e outros, culpassem uns aos outros pelos acontecimentos que levam ao elevado índice de litigiosidade.

Sendo assim, ainda no exemplo da litigiosidade no Brasil, que tem como indicadores do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a "taxa de congestionamento", fixada no último relatório Justiça em 2017¹ na casa dos 75% no que se refere à Justiça Estadual, poderíamos ter uma teia de culpa em que os advogados culpam os juízes, os juízes culpam os servidores e estagiários, os estagiários culpam os servidores, os servidores os advogados, e assim por diante, impedindo que o diálogo avance rumo à proposta de solução efetiva para o problema.

Contudo, os autores de "Conversas Difíceis" ensinam que pode não ser produtivo focar na culpa, uma vez que ela dificulta a análise do que de fato esta causando o problema. Nesse sentido, "Não é uma boa ideia focar a culpa porque ela inibe nossa habilidade de aprender o que de fato esta causando o problema e de fazer algo significativo para corrigi-lo. E porque, frequentemente, a culpa é irrelevante e injusta. (....) No fundo, culpa se refere a julgamento, e contribuição, à compreensão. Culpa envolve julgamento e olha para trás. (...) Contribuição envolve compreensão e olha para a frente (...)". (STONE; PATON; HEEN, 2011)².

Diante disso, a proposta que a obra nos faz é de ampliar nossa visão para compreender todo esse sistema, e a partir dessa visão macro, enxergar também o que pode ser feito para encaminhar positivamente a questão. Sendo assim, surgem duas perguntas importantes. A primeira é: como cada um contribuiu para chegar a tal situação? Ou, de outro modo: o que cada um fez ou deixou de fazer para estar em tal situação? E a segunda é: tendo identificado o sistema de contribuição, como podemos modificá-lo? O que podemos fazer à medida que seguimos adiante? (STONE; PATON; HEEN, 2011).

Pois bem, é sabido que a questão da litigiosidade no Brasil já deixou de ser um problema apenas dos advogados, dos juízes, e daqueles que têm algum tipo de processo na justiça, e atualmente, devido à sua grandiosidade, também tem chamado a atenção no contexto político e econômico³, tornando cada vez mais urgente a criação de espaços para dialogar sobre o tema, para que aconteça o encaminhamento de alternativas e soluções prospectivas.

E esse é um dos objetivos do evento "Novos cenários para a advocacia" que vai acontecer no dia 29 de agosto das 09h30 ás 12h30 na Casa Da Família do Fórum Leopoldina no Rio de Janeiro.
A mesa redonda foi organizada pelo ANMA em parceria com o CEJUSC Leopoldina no Rio, com o Nupemec do TJRJ e com a D'Acordo Mediações.

O evento contará com representantes: das Câmaras Privadas, pelo ANMA - Núcleo de mediação de Juiz de Fora; dos ODR (On-line Dispute Resolution), pela D'Acordo Mediações de Belo Horizonte; dos Cejuscs, pelo Dr. André Tredinnik (Juiz coordenador do Cejusc Leopoldina – RJ, que no mês de julho desse ano, foi palco da primeira mediação via WhatsApp e da primeira mediação envolvendo intérprete de Libras); da sociedade e a OAB, pela Dra. Talita Menezes, presidente da OAB Leopoldina. Além disso, o evento receberá importante apoio da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs).

A proposta é conversar sobre as oportunidades que cada um desses novos cenários oferece para a advocacia e para a sociedade, bem como dialogar sobre o atual sistema de justiça e o papel de cada um na consolidação de uma justiça mais adequada no país.

O evento é inédito, e fruto de um intercâmbio entre as experiências vivenciadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro! Além disso, vai ser uma boa oportunidade para iniciar as conversas que provavelmente serão objeto da Jornada da Mediação que ocorrerá no dia 1° de setembro.

Falta apenas menos de uma semana para o evento, não perca essa oportunidade!

As inscrições podem ser realizadas pelo link:

https://goo.gl/forms/ND33UZLctpxdVpRk2


1 - Justiça em Números 2017: ano-base 2016/Conselho Nacional de Justiça - Brasília: CNJ, 2017. Disponível em: http://www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2017/12/b60a659e5d5cb79337945c1dd137496c.pdf. Acesso em 22.ago.2018.

2 - STONE, Douglas; PATON, Bruce; HEEN, Sheila. Conversas Dificeis: Como argumentar sobre questões importantes. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. Trad. Soeli Araujo Ferraresi.

3 - SOLBERG, Tomaz. Mediação de conflitos como ferramenta de estímulo à economia. Jornal do Brasil. 16.05.2018. Disponível em: http://m.jb.com.br/artigo/noticias/2018/05/16/mediacao-de-conflitos-como-ferramenta-de-estimulo-a-economia/ Acesso em 22.ago.2018.


Por Gevalmir Faciroli

Data: 22 de agosto de 2018 às 22:53.

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